
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga escreve o "sentir" a terra como poucos o sabem fazer... Foi médico e poeta e perpétuo "buscador de Deus", de um Deus que não se prende a velhas ortodoxias, que não se define em palavras de catecismo, mas que está na plena liberdade do agir e do amar humanos.
"Deus. O pesadelo dos meus dias, sempre tive a coragem de o negar, mas nunca a força de o esquecer" (Diário XIV)
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