terça-feira, 27 de maio de 2008

Os outros


Há quanto tempo não passava eu por aqui?...

Não sei bem porquê?! Talvez porque a vida me tem inspirado tantas coisas que nem as consigo descrever, e limito-me a vivê-las o melhor possível!

Tenho feito um esforço por me relacionar mais e melhor com os que me rodeiam... Não sei se tenho conseguido, mas é um objectivo que não quer que aconteça na rapidez, mas que quero cultivar a cada dia que passa. Às vezes, e tanto que pregamos que o outro é epifania de Deus, esquecemo-nos de que os outros são precisamente um Cristo, que esperam a nossa simpatia a nossa afabilidade! E nós nem aí...
Talvez o mundo das palavras, ainda que nos ajude a cultivar sentimentos, também nos faça distanciar dos outros, quando afinal o que dizemos são apenas palavras vazias de sentido...

Até Já! pode ser que volte brevemente....

terça-feira, 1 de abril de 2008

DIA DAS MENTIRAS


Hoje é dia das mentiras...? Mas é necessário marcar um dia para mentir?

Os dias que marcam efemérides normalmente acontecem porque esse grupo está em minoria na sociedade, ou porque sofre o peso da discriminação...

Será o caso? Será que os mentirosos estão em minoria?

Ou será que dias como este vão pautando as relaçõe sentre os homens?

Seria necessária uma "chave de ouro" para descrutinar este segredo? Talvez apenas a sinceridade... as mãos dadas na busca de um mundo novo.

Onde estás?


Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,

E que nele posso navegar sem rumo,

Não respondas Às urgentes perguntas

Que te fiz.

Deixa-me ser feliz

Assim,

Já tão longe de ti como de mim.


Perde-se a vida a desejá-la tanto.

Só soubemos sofrer, enquanto

O nosso amor

Durou.

Mas o tempo passou,

Há calmaria...

Não perturbes a paz que me foi dada.

Ouvir de novo a tua voz seria

Matar a sede com água salgada.



Miguel Torga escreve o "sentir" a terra como poucos o sabem fazer... Foi médico e poeta e perpétuo "buscador de Deus", de um Deus que não se prende a velhas ortodoxias, que não se define em palavras de catecismo, mas que está na plena liberdade do agir e do amar humanos.



"Deus. O pesadelo dos meus dias, sempre tive a coragem de o negar, mas nunca a força de o esquecer" (Diário XIV)

quinta-feira, 13 de março de 2008

ETAPAS






















Aproxima-se o fim de mais uma Quaresma... Tempo de CONVERSÃO, de ARREPENDIMENTO, de ENCONTRO, de PARTILHA... quantas destas etapas foram cumpridas???


Continua a moldar-me Senhor, para que eu possa receber ao menos um raio de luz dessa Manhã Gloriosa...

Maldito aquele que for pendurado num madeiro???




Cristoredimiu nos da maldição da Lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro”.
Gálatas 3:13

Condenado! Não apenas no sentido de ser humilhado, mas também no sentido de receber a condenação de morte, por causa dos nossos pecados; Ele morreu numa cruz – pendurado numa árvore, perante uma multidão que O escarnecia , executado como um criminos. Mas a beleza da sua vergonha e desgraça é que Deus fez delas a nossa redenção. O escárnio de Jesus trouxe-nos a liberdade da condenação dos nossos próprios pecados.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pobres...

Se Cristo se fez pobre por nós, então porque é que nós não conseguimos fazer o mesmo.
Ser pobre é algo de doloroso para o Homem... O homem moderno, cuja cultura se desenvolve entre shopping's e salas de diversão, não consegue viver sem ter...
Ser pobre é estar "out", estar fora dos padrões de uma beleza de aparências feitas...
Ser pobre é sinónimo de exclusão...
Entre tantas definições que atitudes me restam, para imitar o meu Senhor?
Afinal na minha "riqueza" descubro-me o mais fraco dos seres...
Tantas vezes que não soube estender ou apertar a mão daquele que me passa todos os dias à frente...

Crsito fez-se pobre por Vós. (2 Cor 8, 9)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


A Caminho de um bem maior...

Segundo a moral da Igreja tudo deve ser tido em conta a favor de um bem maior... Ou seja, optar pelo que de mais valioso se pode revelar para o Homem...

Também podemos entender assim este tempo da Quaresma...

Afinal ela não é mais do que um caminho de preparação para a Páscoa, bem maior de toda a existência. No entanto, é um caminho feito de exigências e de desafios.

Jejum, oração, esmola são três das práticas tradicionais da Igreja, como dimensões da renovação interior de um Homem que procura, assim, purificar-se para esse encontro com o Senhor da Vida e da Morte...

As três têm sentido. Mas esse sentido tem de ser novamente esclarecido, explicado e renovado, para que não passem de puras "hipocrisias" ou meros gestos rituais, que marcam as folhas do calendário, que todos os anos nos propõe mais um caminho quaresmal.

Impressiona-me, em certa medida, todo o caractér sombrio que envolve a Quaresma... É como se vivessemos um velório de 40 dias e que parece não ter fim. O roxo a adornar os altares, o canto pesaroso de súplicas e pedidos de perdão, as restrições que oprimem a vontade livre do Homem...

Agradar-me-ia muito mais uma Quaresma em que o verdadeiro sentido do PERDÃO fosse entendido por todos os Homens, pois nessa condição de pecadores há sempre motivos para celebrar o Amor d'Aquele que tem uns braços sempre abertos para acolher.

A Tragédia da Cruz expressa isso mesmo: ainda que de expressão sofrida os braços de Cristo, estendidos sobre madeiro são sinónimo de acolhimento, comprometido na promessa feita ao Bom Ladrão - Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso.

Caminhemos então numa estrada que nos leva ao encontro com aquele que nos livra da mancha de qualquer pecado... com a promessa do perdão, afinal nós nem sabemos o que fazemos!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008



Recebi Hoje esta imagem no meu mail, e decidi partilhá-la convosco...

Os pensamentos que os "ursinhos" nos deixam são estímulo para este temp que se avizinha: a Quaresma.

Depois de uma ausência marcada por muitos afazeres e muito trabalho aqui fica um regresso que prometo que vai ser frequente...

Estes dias vou me "retirar"... Rezo convosco e vós comigo!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

A vida traz-nos surpresas... É um dado adquirido!
E quando nos surge algo de "mal" aproximamo-nos mais de Deus.
Ainda que confessando este pecado de ver o meu Deus como "supermercado", quero pedir-lhe a saúde para quem a mais precisa e o conforto para os que sofrem ao ver alguém num estado muito crítico. Rezai comigo!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008


Esta é a mensagem que deixo para inaugurar este Novo Ano.

Que a paz seja um dom oferecido a todos quantos por aqui passam!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Votos de um SANTO NATAL


Li algures esta mensagem, que eu adpto e faço dela o meu postal de Boas Festas, para os vistadores do meu blog:


"Queriamos partir em Lua de mel, mas não temos com quem deixar o Menino! Por isso precisam-se corações generosos e disponíveis para cuidar do Menino Deus. É só embalá-lo com afecto para com os outros, alimentá-lo com doçura e meiguice e mudar-lhe a fralda, suja de invejas, maldicências e sentimentos negativos! Assim ele crescerá no coração de todos os Homens...

Ass: O Burro e a Vaca"



Tenho a certeza de que os animais do Presépio podem contar contigo!

Um Santo Natal, cheio da Luz e da Paz que vêm de Belém!

O que é o Natal?


Hoje passei pelas ruas da cidade... estavam cheias de gente! Alguns rostos angustiados e muita azáfama... Também observei alguma alegria e ouvi assobios, que entoavam sons tipicamente natalícios!

No meio disto tudo perguntei-me:

Qual o motivo para a angústia estampada nos rostos daquela gente, que está à espera do nascimento de Cristo?

Mas também... de onde vem tanta euforia e azáfama? - será que é para realmente receber o Menino Deus?

Ficam estas interrogações, para meditar e procurar descobrir se esta nossa realidade não se transformou em mera materialidade, expressa na amargura do não poder ter/comprar... ou na euforiua de poder oferecer o melhor dos presentes, esperando receber em dobro.

É isto o Tempo de Natal?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Seara


A beleza de Deus manifesta-se, também aqui, na simplicidade de uma seara dourada!

Uma urgência

Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade

Tempo de Esperança...


Começou o tempo do Advento.
Tempo de Esperança...
Vêm-me à mente, tantos e tantos motivos,
para que eu possua tal virtude!
Mas no fim...no fim é tão difícil mantê-la!
O sol que nasce em cada dia é sempre motivo
para uma nova Esperança...
Esperança num sorriso do meu próximo...
Esperança de que o sofrimento se acabe...
Esperança de ver os meus problemas resolvidos...
Esperança...
... de ver florir uma pequena flor, neste inverno da vida!
Alguém dizia: "Sei em quem coloquei a minha fé."
E eu acrescento-lhe: "e a minha Esperança"!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Mal-me-quer

Nunca gostei muito destes mal-me-queres!
De dia até mostram a sua beleza... mas à noite perdem todo o encanto, porque se fecham em si mesmos!
Quando me pûs a reflectir o porque deste milagre da natureza,
parei e associei-o às nossas vidas:
quando o sol brilha tudo em nós é beleza, alegria e aroma,
mas quando chega a noite escura a janela da nossa alma fecha-se,
não permitindo a entrada de quem não queremos!
Como Deus nos fez tão maravilhosamente e nós nem nos apercebemos!
"Deus viu que tudo isto era bom"
Afinal, o Homem é o "senhor da criação", mas não pode ter a pretensão de se afastar superiormente dela.
Aqui fica uma pequena fechadura! Seremos nós capazes de a abrir???

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico das criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - princípe - todos eles princípes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?
Então só eu que sou vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

Meteoritos


É com muita pena que aqui venho tão poucas vezes, mas a correria dos dias, cheios de trabalho e, por vezes, fadigas desnecessárias não me permitem uma maior assiduidade!

Hoje queria partilhar convosco uma frase, que, apesar de não gostar de a ouvir não perde o seu fundamento: "Tu não és o sol, sobre os qual giram todos os planetas".

É duro ouvir-se, mas também nos faz bem, para cairmos no mundo real e ver que afinal a nossa via láctea, rodeada de tantas estrelas (que consideramos amigos, pelo brilho que nos oferecem), por vezes lança assim alguns meteoritos...

É mais um ensinamento, nesta minha luta pessoal de me tornar mais humilde, embora o não consiga muito facilmente!

É mais uma chave para abrir portas enferrujadas.

terça-feira, 6 de novembro de 2007


Hello!

Cá estou novamente, depois de alguns dias intensos!

Hoje apetece-me cantar um hino à vida e por isso deixo um poema de Antero de Quental (que paradoxalmente se suicidou)...

É simplesmente uma visão da vida... que afinal vale sempre a pena!
Quando se fecha uma porta abre-se sempre uma janela.